Quando a
inspiração de escrever me toma, não me resta nada a não ser relutar contra o
sono e aproveitar o momento de tantos sentimentos que me assaltam o peito e
vazam pelas palavras...
Apenas a
estranha:
Alcunham-me de
estranha. Porém, vos acho banais por não se permitirem viver um sentimento sem
culpa. Por terem sido maus com outros ou até consigo mesmos, simplesmente
porque precisam de vítimas para suas histórias.
Por se
acovardarem em serem e viverem vocês ao se bloquearem diante tantas regras,
preceitos e preconceitos.
Por se
encapsularem em traumas passados, ignorar o presente e não deixarem que o
futuro tome seu curso sereno.
Por se
silenciarem quando existe um ouvido que precisa do som da palavra. Por negarem
um sorriso a um coração carente. Por desviarem olhares de um rosto que talvez
nunca mais vão poder enxergar. Por derramarem lágrimas de olhos esperançosos. E
por utilizarem a boca para proferirem maledicências, enquanto existem almas que
anseiam por galanteios.
Lábios foram
feitos para beijar e as mãos para acariciar. A vida é efêmera, pode se perder
num instante de tempo, e, então? O que foi a vida para você? Um marasmo sem
emoções ou um abismo em conflitos? Conseguiu um dia reconhecer sua alma diante
um reflexo no espelho? Acabou e você não sabe ainda quem é? Não pôde sequer
dizer “eu te amo”, ou o que é pior, sequer pôde sentir o que é o amor?
Tenho apenas
procurado incessantemente o amor que me transforme numa pessoa que reconheça o
valor de alguém ante as diferenças e a inutilidade. Não falo de carne, mas algo
que transcende este estado passageiro. Sentir o quão doce pode ser o amor na
prática. Talvez, o Amor seja o adubo para cultivarmos a paciência, o respeito,
o altruísmo e que ao final, os frutos serão tão só amor. Amor é pedestal, amor
é cume. No final, é só isso que pode restar de um corpo consumido pelo tempo e
de almas repletas de cicatrizes.
Tenho sido
estranha por pensar em tudo isso. Tenho sido estranha por querer tantas
profundezas no oceano em um tempo onde se querem tudo em um lago raso. Sou
estranha por apenas ter tentado ser eu e ter um mundo só meu dentro de
mim...
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