sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014





No encontro às escondidas,
coração bate acelerado,

pés e mãos suam frios
no medo de tudo ser desvendado...

Mas o medo passa no segundo
quando no beijo o desejo despertar,
o mundo já esquecido,
existindo apenas a paixão de dois seres ao se deitar...

Tudo se é entregue completamente,
todos os instantes vividos intensamente.
No entrelaçar dos corpos a mistura do suor do prazer insaciável,
sensação de amor, loucura e paixão incontrolável.

Porém, logo chega a dor da despedida
e em cada abraço e beijo que fica,
deixa a esperança de um novo encontro às escondidas...

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014


Assim como estou horrenda vida!
Sozinha, porque tu me deixaste,
Sem sentir nenhum mísero remorso, se foi,
E assim contigo foi-se;
Ah sim, foi-se a alma,
E com ela todos miraculosos sentimentos de amor...

Deixaste somente as tristezas da desilusão e da solidão,
Que se fundem com a saudade trazendo a angústia tormenta,
Que me leva as noites de sono;

Em pensar que sonho em vão...
O que vivenciamos um dia no passado,
Hoje somente existe numa profunda recordação

No meu exorável coração!

Oh, Destino cruel,
Por que tu me deixaste a amargura?
Tiraste do meu seio talvez o único remédio desta vida féu...
Quem sabe a resolva a doçura de um amor sem fim?
Que em exuberante contemplo se acabe o tédio...

Então chegaste,
Em mocidade,
Aproveitaste de minha ingenuidade
Um amor que nem bem surgiu e logo se fez ir
Por alguém que interferiu,
Coração parou de sorrir
E a paixão só permaneceu em mim...
Desilusão de um amor que não eras para ser meu...

Que nunca foras meu!
O amor,
Doce agonia,
Triste alegria,
Saudade vazia
Satisfaz sentimento
Do pequeno momento da recordação,
Mantida pela emoção,
Apreendida pelo coração...

Clamar vida ou morte?
Viver para vencer
Ou morrer para esquecer?
Melhor lutar para realizar
Ou lutar para evitar?

Saber a resposta
A não ver a derrota,
Desatar este nó
Do andar só,
Amarga afeição
Descoberta a ilusão;
Loucura e fissura...

Castigo do destino,
O que fazer para merecer tal?
O final,
Trágico naufrágio,
Afundado,

Afogado!

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

ANÁLISE PROFUNDA DO MEU EU...



Uma caneta e um papel são suficientes para registrar nessas entrelinhas os sentimentos que gritam na minha alma latente.

Nesse primoroso instante em frente ao espelho vejo refletir um rosto jovem, formoso de traços finos em uma pele viçosa com feições enigmáticas e um olhar tão profundo que nem ao menos consigo me encontrar nessa vastidão do meu eu...
Por um ímpeto espaço de tempo a insanidade parece me possuir, procuro incessantemente dentro de mim respostas as quais vão além da envergadura humana aclarar. Quem sou? O que vim fazer aqui? Por que existo? Por quanto tempo hei de existir? E para que existo?

Meu profundo olhar não me diz exato quem sou eu, tão pouco o que quero. Mas se fechar meus olhos posso passear dentro do meu abarrotado cavo mundo interior. Ainda assim é inútil desembaraçar meus pensamentos abstrusos e decifrar os desejos do meu coração, porém, tenho a leve impressão destoar da maioria padrão.

Não posso explanar esse sentimento forte, impreciso que vive no meu ser desde o nascituro que externiza ao mundo uma energia divergente e refracionada do meu âmago.

Sem compreender o sentido dentro de mim, me norteio em parâmetros e estereótipos da sociedade moderna, às vezes sendo preciso ocultar, adormecer, esquecer parte do que está presente na minha alma dúbia.
Sempre me deparo em um ângulo de 360º graus, uma força gravídica que me arrasta sempre ao mesmo ponto de partida, me faz reviver os momentos, os lugares e as mesmas dores.

Medito mergulhando nos sentidos, se tudo acontece porque sempre perseguimos inconscientemente o passado atraindo repetições infindáveis, ou ainda não fui capaz de aprender e a vida insiste em me trazer tudo novamente até que a aprendizagem se finde, podendo enfim me conhecer para viver de acordo com meu imo.

Retornando a origem, consegui resgatar sensivelmente pedaços imaculados da infância, quando tudo parecia gigante e fascinante. Pude sentir o gosto da simplicidade e o prazer da brincadeira tão só por refletir a imaginação de uma criança repleta de sonhos e esperança, quando ainda estava incólume a construção do seu castelo.

Fico feliz por ainda ver essa criança, mesmo nas reminiscências nostálgicas, perceber que existem restos deste castelo, que ainda pode ser reerguido... Tal, primeiro ponto para meu reencontro.

Todavia, vez por hora o medo açoita e assombra a criança frágil e bucólica, monstros começam a saltar da imaginação adotando forma real de seres humanos.

O medo de machucar jugulou o melhor que havia em mim e para defesa pessoal a criança foi forçada a crescer, se transformou em guerreira deixando o castelinho de sonhos no chão para travar a guerra. Mas como toda guerra é sangrenta e dolente, sinto vontade de regressar aos monstros da minha imaginação, onde o medo era abstrato e inofensivo.

Quisera eu ser gente grande para me defender e lutar; criança para viver e amar!
O que pode o espelho refletir-me a não ser um rosto enfadonho, um coração despedaçado e uma alma quebrantada?

Seqüelas da convivência com seres tão superficiais incapazes de acreditar nos sonhos, tão pouco sentir o mais tênue amor ao próximo... Seres sem história própria, robôs de destino predeterminado por uma sociedade anárquica capitalista. Apáticos, sorumbáticos e ínvidos. Não partilham do cálice alheio, mas também não desfrutam da afeição leal e desinteressada. Nunca terão a graça da autenticidade. Jamais poderão ser singulares. Não querem, não podem e não sabem o esplendor de viver intensamente, quão leviano não sente, camufla na aleivosia.

Ora, não sou eu que pretendo findar meus dias nessa morbidão tediosa, correndo para não ser eu, sentir como se não sentisse e fugir de viver minha própria história.
 Se acaso não conseguir saber quem sou, ao menos terei amado com imensidão e vivido como ninguém...


                    (by Ingrid Raiane de Mattos)