Hoje, dia treze de dezembro do ano de dois mil e doze (13/12/2012), ouvi uma sábia constatação sobre minha pessoa de quem eu menos poderia esperar. Se o que foi dito foi distorcido aos olhos de quem disse ou de quem escutou não é importante. O importante é o que está além do que realmente parece ser.
Deixemos de cantilena, a frase dita foi a seguinte: “Não se pode querer ser canarinho quando se é pardal”. Ora, não precisa de nem mais uma letra para descrever a minha essência.
Numa simples frase sem qualquer importância manifesta, sobrestive para ponderar o que tenho feito comigo, me prendendo a preceitos sem embasamentos, me torturando para mudar aquilo que sou, tão somente para ser uma pessoa ditada “normal”, ser aceitável entre família, amigos, relacionamentos amorosos, enfim, ser aceita em uma sociedade no geral, deixando de ser taxada de “esquisita” por alguns, superficial para outros e “louca” pela maioria.
Mas o que seria ser normal ou ser louca? Qual estimação tem essa sociedade coalhada de podridão, de hipocrisia, de preconceitos, de deslealdade e de maldade diante da busca incessante de ser exclusivamente eu?
O canarinho na gaiola não sofre com seu fadário, até canta, porque nasceu para ficar aprisionado, não saberia sequer sobreviver com a liberdade. O pardal ao se ver cativo pode até desistir de piar e acomodar-se nessa condição, mas vai sofrer, se entristecer e amargurar-se até morrer. É exatamente isso que tenho feito todos os dias da minha vida, me aprisionando em um casulo de conceitos, preceitos de como devo viver. Relutando contra meus anseios, desejos e sonhos em prol de quem nunca será feliz por mim. A minha felicidade somente eu posso senti-la e vivê-la. Ninguém será feliz no meu lugar.
Então me submerjo em um medo ao qual me foi inserido, que não se originou de mim. Para quê então me respaldar em agradar uma sociedade que nem ela ao menos consegue deliberar o que é certo ou errado, o que é belo ou feio? Sociedade que apenas segue tendências do seu tempo.
Passarinho que aprende a voar jamais será passarinho de gaiola. Liberdade não é para os que a ambiciona, mas para os de natureza livre. Liberdade algo tão subjetivo e, no entanto, tão similar.
Liberdade na minha concepção não está no palavrear promíscuo em que a “sociedade” atina e sim no que é voar no meu subjetivismo.
Voar... É cantar quando a música toca;
Voar... É me envolver com a dança conforme o ritmo;
Voar... É sorrir quando estou feliz e chorar quando estou triste;
Voar... É dar boas gargalhadas com os amigos e tirar melhores gargalhas deles com palhaçadas;
Voar... É falar palavrão quando dá vontade;
Voar... É me entregar as paixões sem avaliar o preço ao qual irei pagar;
Voar... É gritar “Eu te amo” quando o calor da paixão queimar no meu peito;
Voar... É não temer o erro e se eu errar, dane-se, é essência do ser humano e a crítica não vai mudar nada;
Voar... É andar e correr sem medo de cair e se eu cair que tenha um braço seja ele forte ou fraco para me levantar, pois o que vale é a intenção do próximo;
Voar... É dizer o que penso sem retaliações;
Voar... É ter atitudes ousadas mesmo que implique em grandes responsabilidades;
Voar... É ser irreverente mesmo sabendo que me custará a inveja alheia;
Voar... É dar aquele abraço forte em quem eu tenho apreço e beijar a quem eu gosto;
Voar... É não ter receio de lutar pelo que eu acredito, assumir os meus desejos e meus sonhos mais ocultos e mais absurdos que pareçam ser;
Voar... É ser criança, adolescente, mulher ou idosa, me adaptando conforme as circunstâncias;
Voar... É dar o meu melhor para um mundo melhor;
Voar... É agir com solidariedade e humanismo;
Voar... É ter esperança no impossível; Ser tão boa ao ponto se me tornar piegas;
Voar... É amar os bichos como amar um ser humano; É agir com o instinto para sobreviver e com racionalidade para conviver;
Voar... É poder me vestir num dia de rainha e noutro de plebeia e que nem por isso serei melhor ou pior que ninguém;
Voar... É ser cada dia uma personagem, num dia a Cinderela, noutro a Bruxa... Não importa se um dia serei a esposa e noutro a amante...Se serei duas, três, quatro ou dez mulheres numa só... Se serei mulher ou mulheres de um mesmo homem ou de vários, contanto que eu não perca a lealdade... Espero que seja apenas um, que esse um me ame livremente e que não me faça escolher entre tê-lo ou ser eu, porque a escolha não irá afagá-lo...
Que eu possa fazer a arte pedaço da minha alma e possa compartilhar àqueles que se aprazam dela... Não importa se seja cantando, dançando, compondo, escrevendo, atuando, interpretando ou até mesmo desenhando, mas que seja parte real do que sou...
Ser livre é ser tão somente eu. Ser eu é ser pardal e não um canarinho...

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